quinta-feira, 21 de agosto de 2014

bom dia formigas

(POEMA DE ROSA KAPILA)

FORMIGAS NA JANELA ME DÃO BOM DIA

A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas (Raul Seixas)

Para minha querida amiga Valma Lopes





Se dessa vida só levamos a alma, quero andar muito

/até chegar ao mar.

Eu e Margaret Atwood já estamos comendo na cozinha;

/na própria panela.

Assim fazem as pessoas sozinhas.

Por baixo desse corpo, sou quase um animal predador.

Perdi cinco páginas de poemas esperando passaporte.

Azedei.

Independência demais... diria meu pai.

Devemos substituir a criação pela autobiografia?

Qual título darei a esse poema?

Uma de minhas especialidades: catacumba.

Confeccionarei uma camisola estilizada.

Pés descalços, nervosos e fingimento.

Habitarei um castelo assustador

Se houver corujas fujo para uma catacumba

Volto à autobiografia: enquanto esperava o passaporte,

Alguém pisou no dedo mais sensível e querido meu.

Ai meus sais!

Você foi bem vindo e adeus você nega com uma mirada.

Limpo o ouvido para a arte de amar.

Sem Shakespeare não vivo.

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