UM ENCANTAMENTO ANTES DA INVENTORA
O Planeta ecoa falas de centenas de amigos
Pulso bate... Pulso baterá.
Falo de quartos de reis.
Aquele trovão que vem correndo é meu.
O lago dentro de meu olho, dança.
Vesti-me de flor, deixei que o vento arrancasse pétala por pétala.
O que quereria eu quando comecei com todo esse dedilhar de letras?
Não tenho a quem perguntar.
Alma alguma precisa responder.
Confeccionarei um ídolo.
Sorte é que a vida inteira aprecio o despertar
/com todo o cuidado de ter diante da cama
/ uma janela para ver as coisas. (Rosa Kapila)
quarta-feira, 22 de julho de 2015
domingo, 28 de junho de 2015
UMA XÍCARA DE SANGUE
UMA XÍCARA DE SANGUE
"Gosto de viver. Algumas vezes me sinto muito, desesperadamente, loucamente miserável, atormentada pela aflição, mas mesmo diante disso tudo eu compreendo que estar viva é uma coisa grandiosa."(Agatha Christie)
Para meu querido amigo escritor e teatrólogo Blanchot
Eu dei um grito de carência
mesmo assim vi um filme violento e saí andando por aí.
quero me abandonar dormindo nesta noite.
Vigio Agatha Christie enquanto ela mata as pessoas e os empilha
/em pedacinhos.
Depois do ritual da morte eu e a dama do crime bebemos várias
xícaras de sangue com biscoitos.
Ríamos.
Ela dizia: "tragam mais duas duplas de xícaras! - tim tim! O sangue move
/o mundo! Um brinde a tudo aquilo que é vermelho!
Scotch!
Scotch é meu cachorro. - venha tomar sangue conosco!"
As luzes da casa de Agatha brilham demais.
- Os venenos são escondidos aonde? - Pergunto.
Ela solta uma gargalhada.
- Só sei querida que todo dia a gente precisa morrer um pouco. Olha
/que avião bonito vai passando...
O avião me acordou.
Sou uma rosa de pobre coração cansado.
Quero ser bem sucedida dentro de mim mesma,
/na escuridão uivante.
Sempre tive olho de águia para qualquer coisa que
/estivesse fora do lugar. O ruge de Agatha Christie descia
/como um riacho em seu rosto empoado.
Fazia muito calor.
Enfim, eu e a dama do crime tínhamos um relacionamento
/profissionalizado.
Viva o vermelho assassino!
Ainda tive tempo de fazer a seguinte pergunta:
- Agatha, como você passa seus dias nas horas de lazer?
- "Matando gente!"
A rainha sabia como se divertir.
Estou quase num beco sem saída porque
/abandonei uns vícios.
Estou no osso com aquele amor.
E se eu o visse hoje lhes daria uns tapas.
Quando você não aguentar mais e me telefonar
/vou acender um cigarro e ler um anúncio de utilidade
/pública com minha letra baixinha.
Me procure que eu te mando desamarrar um cachorro
/num carro estacionado.
Para mim, sua chuva não serve pra nada. (POEMA DE ROSA KAPILA)
"Gosto de viver. Algumas vezes me sinto muito, desesperadamente, loucamente miserável, atormentada pela aflição, mas mesmo diante disso tudo eu compreendo que estar viva é uma coisa grandiosa."(Agatha Christie)
Para meu querido amigo escritor e teatrólogo Blanchot
Eu dei um grito de carência
mesmo assim vi um filme violento e saí andando por aí.
quero me abandonar dormindo nesta noite.
Vigio Agatha Christie enquanto ela mata as pessoas e os empilha
/em pedacinhos.
Depois do ritual da morte eu e a dama do crime bebemos várias
xícaras de sangue com biscoitos.
Ríamos.
Ela dizia: "tragam mais duas duplas de xícaras! - tim tim! O sangue move
/o mundo! Um brinde a tudo aquilo que é vermelho!
Scotch!
Scotch é meu cachorro. - venha tomar sangue conosco!"
As luzes da casa de Agatha brilham demais.
- Os venenos são escondidos aonde? - Pergunto.
Ela solta uma gargalhada.
- Só sei querida que todo dia a gente precisa morrer um pouco. Olha
/que avião bonito vai passando...
O avião me acordou.
Sou uma rosa de pobre coração cansado.
Quero ser bem sucedida dentro de mim mesma,
/na escuridão uivante.
Sempre tive olho de águia para qualquer coisa que
/estivesse fora do lugar. O ruge de Agatha Christie descia
/como um riacho em seu rosto empoado.
Fazia muito calor.
Enfim, eu e a dama do crime tínhamos um relacionamento
/profissionalizado.
Viva o vermelho assassino!
Ainda tive tempo de fazer a seguinte pergunta:
- Agatha, como você passa seus dias nas horas de lazer?
- "Matando gente!"
A rainha sabia como se divertir.
Estou quase num beco sem saída porque
/abandonei uns vícios.
Estou no osso com aquele amor.
E se eu o visse hoje lhes daria uns tapas.
Quando você não aguentar mais e me telefonar
/vou acender um cigarro e ler um anúncio de utilidade
/pública com minha letra baixinha.
Me procure que eu te mando desamarrar um cachorro
/num carro estacionado.
Para mim, sua chuva não serve pra nada. (POEMA DE ROSA KAPILA)
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
vulto do crepúsculo
(POEMA DE ROSA KAPILA)
VULTO DO CREPÚSCULO
Canto para um vulto do crepúsculo
/ e penso que você me ouve
Tenho nas mãos suaves contas
/ com as quais vou fazendo um colar
Do outro lado de mim uma latinha com uvas pretas.
O coração, parece que está no lugar... pelejando
Estou sentada na areia de uma praia
/ ondas frenéticas tentam me banhar.
Como a noite vem caindo, cavo um buraco
/ na terra e coloco os caroços das uvas.
Minha boca areada olha para o céu.
Os grãos de areia que permanecem em meu corpo
/ seguem comigo pela Vieira Souto.
Ao longe eu o vejo, é ele o vulto do crepúsculo.
VULTO DO CREPÚSCULO
Canto para um vulto do crepúsculo
/ e penso que você me ouve
Tenho nas mãos suaves contas
/ com as quais vou fazendo um colar
Do outro lado de mim uma latinha com uvas pretas.
O coração, parece que está no lugar... pelejando
Estou sentada na areia de uma praia
/ ondas frenéticas tentam me banhar.
Como a noite vem caindo, cavo um buraco
/ na terra e coloco os caroços das uvas.
Minha boca areada olha para o céu.
Os grãos de areia que permanecem em meu corpo
/ seguem comigo pela Vieira Souto.
Ao longe eu o vejo, é ele o vulto do crepúsculo.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
naquela noite escorei meu espanto no travesseiro
(POEMA DE ROSA KAPILA)
NAQUELA NOITE ESCOREI MEU ESPANTO NO TRAVESSEIRO
Em minha Caixa de Pandora
/versos de pés quebrados
Para sempre abre-te sésamo
/desse chão - estrada.
Jardins, regatos, vem música me abraçar.
Vou pro mar, “ele me dar muitos poemas”.
Antes bati prego numa porta
/para que ela não exista mais.
Olhei para trás e vi que minha janela
/preferida, voou.
Bancas de jornais : revistas e amendoins.
Esta noite intuitivamente imagino a janela –
/-agora com música voando por dentro dela.
Quero um lugar onde possa
/comer lichia descansada de mente.
Pedrona para sentar-me.
Queria ter paciência com:
Minha preguiça
Calafrios.
Ouço nomes
Um amigo do passado, passa
/pergunta se eu quero um pedaço
/do Muro de Berlim.
Eu quis sorrir.
Naquela noite escorei meu espanto no travesseiro.
Naquela noite escorei meu espanto no travesseiro
(POEMA DE ROSA KAPILA)
NAQUELA NOITE ESCOREI MEU ESPANTO NO TRAVESSEIRO
Em minha Caixa de Pandora
/versos de pés quebrados
Para sempre abre-te sésamo
/desse chão - estrada.
Jardins, regatos, vem música me abraçar.
Vou pro mar, “ele me dar muitos poemas”.
Antes bati prego numa porta
/para que ela não exista mais.
Olhei para trás e vi que minha janela
/preferida, voou.
Bancas de jornais : revistas e amendoins.
Esta noite intuitivamente imagino a janela –
/-agora com música voando por dentro dela.
Quero um lugar onde possa
/comer lichia descansada de mente.
Pedrona para sentar-me.
Queria ter paciência com:
Minha preguiça
Calafrios.
Ouço nomes
Um amigo do passado, passa
/pergunta se eu quero um pedaço
/do Muro de Berlim.
Eu quis sorrir.
Naquela noite escorei meu espanto no travesseiro.
NAQUELA NOITE ESCOREI MEU ESPANTO NO TRAVESSEIRO
(POEMA DE ROSA KAPILA)
NAQUELA NOITE ESCOREI MEU ESPANTO NO TRAVESSEIRO
Em minha Caixa de Pandora
/versos de pés quebrados
Para sempre abre-te sésamo
/desse chão - estrada.
Jardins, regatos, vem música me abraçar.
Vou pro mar, “ele me dar muitos poemas”.
Antes bati prego numa porta
/para que ela não exista mais.
Olhei para trás e vi que minha janela
/preferida, voou.
Bancas de jornais : revistas e amendoins.
Esta noite intuitivamente imagino a janela –
/-agora com música voando por dentro dela.
Quero um lugar onde possa
/comer lichia descansada de mente.
Pedrona para sentar-me.
Queria ter paciência com:
Minha preguiça
Calafrios.
Ouço nomes
Um amigo do passado, passa
/pergunta se eu quero um pedaço
/do Muro de Berlim.
Eu quis sorrir.
Naquela noite escorei meu espanto no travesseiro.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Tangerina de ouro
(POEMA DE ROSA KAPILA)
TANGERINA DE OURO
Tenho saudades de beijos de carne
Não ouvi Anne Sexton
Tampouco Shakespeare.
Beijos de boca para o vinagre.
Com muito silêncio penso na “Casa de Irene”.
Tu que és errante e tens a bicada do abutre no peito, chora.
Não sabia, porém boca faz falta.
Vejo da janela a colisão de urubus. Se bicam? Se beijam.
Lampejos.
Chupo uma tangerina cor de ouro e penso na varandinha
/ que nunca ganhou uma grade. Era ali que eu mordia tua boca.
Uma emenda: pego as Espumas Flutuantes de Castro Alves
/entretanto quem me tira acidez da vida é Camões – beijo
/ As Líricas.
Aqui faço mais uma emenda
Vultos me seguem na Rua da Alfândega. Olho os
/bustos para disfarçar.
Pergunto com pernas trêmulas: por que tantos vivos
/ se foram tão perto um do outro?
Não respondo.
Não posso responder.
Pulo da tangerina para a acerola.
Sento em um bar ainda da Alfândega.
Pão de queijo !!!!!!!!!!
Por que não me lembrei antes?
Acerola com pão de queijo
Pego um guardanapo, desenho besteiras enquanto
/ segue a procissão de mortos.
Voltei pela Ouvidor
Queria andar mais.
Estaria aberto o Campo de Santana?
Olho os gerânios, o sol, uns relógios, pérolas do colar
/ de uma senhora, as almas que tentam se esconder,
/a loja só de perfumes, cabelos, limões vendidos,
/beijos de namorados.
Ouço ao longe uma canção de Bob Dylan.
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