terça-feira, 18 de junho de 2013

CAMÕES: UMA ESTRELA INFELIZ - ROSA KAPILA

/06/2009
CAMÕES, UMA ESTRELA INFELIZ
“Triste cidade! Eu temo que me avives
uma paixão defunta!” (Cesário Verde )
 
 
Eu não sou cheiro que se flor
E aqui está Camões  me trazendo cheiros
De uma paixão defunta, no seu Lusíadas
/de”FERO AMOR” sobre Inês de Castro.
Eu, uma contemporânea  que pertenço ao cotidiano
/de muita  gente...frequentando  a mesma praia, indo
/ao supermercado ou ao cinema... tenho  a mesma sensação
de Cesário Verde em carta ao amigo Antonio de Macedo Papança
“Uma poesia minha, publicada numa folha bem impressa,
/comemorativa de Camões, não obteve um olhar, um sorriso,
/um desdém, uma observação! Ninguém escreveu, ninguém
/falou,  nem um noticiário, nem uma conversa comigo, ninguém
/disse bem, ninguém disse mal! (...) literalmente parece que
Cesário Verde não existe”.
Eu, que tento fazer as pessoas pensarem sobre o mundo e a vida!
Vi  o teu rosto  desenhando num navio.
Ainda carrego em minha boca  o cheiro do teu poema
/redivivo.
Tanto adiei minha poesia  para outro século
Que hoje ela me deixou na mão, a ver navios!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

FOTOGRAFIAS - ROSA KAPILA

DOM PERTURBADOR - ROSA KAPILA

DOM PERTURBADOR

EU  APRENDO COM OS INSETOS A TECER
A MOVER-ME INQUIETA
E NOS MOMENTOS ESTRANHOS
GORJEIOS CANÇÕES DE   SONHOS
LEMBRO DE MIM OCULTANDO
O DIA
AMUADA
ESCONDENDO A SURPRESA E O MEDO DE SUPORTAR.
NINGUÉM MAIS ESTÁ FALTANDO
NA MINHA CONTA DA MADRUGADA
NINGUÉM MAIS ESTÁ FALTANDO
NEM OS ORIGINAIS DOS POETAS
NINGUÉM MAIS ESTÁ FALTANDO
NEM OS POETAS DA METADE.
APRENDO  A TECER COM OS INSETOS
APRENDO A MORDER COM AS FERAS.
BREVES EXPERIÊNCIAS
ME FAZEM VER
A QUANTIDADE  DA VIDA.

domingo, 16 de junho de 2013

HOMENS TRISTES E TEDIOSOS (ROSA KAPILA)




Rosa Kapila
                                                  DEFORMAÇÕES DA MEMÓRIA

A VIDA DA POESIA  ME PROTEGE.
A CHALEIRA CANTA AFINADA  FAZENDO CHUVEIRAR O CÉU DA  COZINHA.
A ARDÓSIA DE MINHA CASA  ANTIGA
SUGERE ELEMENTOS DE SANGUE.
ESTOU ADORMECIDA NA PRAIA  APAGANDO UM CAMINHO.
UM BÓCIO DE UM AMIGO DE INFÂNCIA PARECIA UM POMBO EM GUERRA, AQUI, AGORA, ME ENFRENTA.
O DIA CAIU
ESTOU PARADA NO PATAMAR
PARA DESCER TAMBÉM.